EDE Bahia!

O primeiro EDE da Bahia aconteceu entre abril e junho de 2012, na “Costa do Cacau”, próximo à beira-mar de Itacaré, no Centro Holístico Pedra do Sabiá que está inserido em uma área abundante, bela e previlegiada pela natureza.

Uma característica marcante do nosso curso foi a riqueza cultural e diversidade dos participantes, cinco dos quais eram nativos afro-descendentes, dois ligados a um “quilombo” (comunidade descendentes de escravos) vizinho. E outros de diversos estados brasileiros como Pará, São Paulo e Rio de janeiro, dois argentinos e também representantes da América do Norte e Europa.

Alguns dos participantes vieram através de um dos nossos parceiros, Mecenas da Vida, uma ONG atuante na neutralização de carbono que apoia os agricultores locais com uma forte visão para a transformação ecológica e social da região, e que retribuiu as bolsas recebidas com o fornecimento de alimentos orgânicos cultivados localmente que foram usados para as refeições do curso.

O primeiro módulo consentrou-se em Visão Mundial e Ecologia, e teve foco no design de ecovilas. Uma das características mais interessantes e dentre as razões principais para a escolha do local do curso foi que os participantes tiveram a chance de projetar o desing para duas comunidades intensionais emergentes nas redondezas: uma no próprio lugar onde estávamos hospedados e outra na Aldeia, onde se chegava com uma curta viagem de barco atravessando o rio. Ambas representaram uma folha em branco para ser desenhada e explorada com as ferramentas e habilidades  adquiridas durante o curso. Isso foi extremamente excitante tanto para os participantes quanto para os moradores das comunidades.

Os grupos tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos às comunidades interessadas​​, obter um feed-back direto e ainda ter um burburinho extra de saber que seus projetos poderiam ser utilizados no desenvolvimento dessas ecovilas.

Neste módulo também trouxemos a Permacultura, e integramos um PDC como parte do currículo.

Um dos bônus da primeira edição do EDE Sul da Bahia, foi a localização privilegiada do curso. Como estávamos abençoadamente localizados no meio de uma área ambientalmente preservada e cercada por mata atlântica exuberante, os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar esse contato direto com passeios à cachoeira e lago próximos, cerimônias nas antigas Jaqueiras, passeios de canoa para atravessar o rio e ir até a comunidade ‘Aldeia‘ fazer aulas práticas.

O segundo módulo, Co-Criando uma Nova Cultura, centrou-se em torno das dimensões sócio-econômicas, e focou a comunicação consciente e o crescimento interior / observação. Com isso exploramos algumas ferramentas práticas de transformação de conflitos, enquanto mergulhávamos mais profundo, utilizando questões que eram “vivas” e refletiam as dinâmicas inter-pessoais do próprio grupo. Tivemos partilhas particularmente poderosas e muitas curas durante o Fórum, Círculos de Homens e Mulheres / fishbowl, Oponopono, e lindas sessões de feed-back. Isto, junto com a criatividade da dança, e os momentos de cerimonia em volta do fogo, teceu uma conexão especial de intimidade e divinidade entre nós.

Um dos destaque do curso foi uma das noites em que fomos a um ‘Sarau’ em uma comunidade próxima, onde o artesanato produzido localmente fundiu-se com shows de talentos, música e dança, e fomos capazes de explorar questões relacionadas com o bio-regionalismo e economia solidária.

Outro momento especial foi o nosso fim-de-curso, especialmente Co-Criado. Uma festa de São João! Uma das mais calorosas festas tradicionais brasileiras. Os participantes formaram equipes e ajudaram no desenvolvimento das tarefas: alimentação; decoração; à noite, uma dança coreografada com uma cena de teatro, como é tradicão nessa festa. Foi uma explosão! Fomos surpreendidos pelo nível de comprometimento, criatividade e cooperatividade das equipes em ação.

Aprendizados para os futuros EDES?

Sim. Uma delas é que precisamos ser mais disciplinado e não abrir 100% aos participantes as coisas que realmente queriamos fazer, mas sentimos que tinhamos que deixar de fora ou fazer em um momento mais tarde … pois, isso aparentemente deixou-os sentir como se estivessem perdendo momentos ainda mais especiais. Outra é, talvez, oferecer mais espaços/tempo livres, possibilitando mais reflexão e assimilação dos conteúdos.

Durante o curso fomos presenteados com a participação de Índios da Nação Tupinambá, que realizaram a cerimonia de abertura, a Bênção da Terra, para abrir os caminhos, a conecção e gratidão com aquele sagrado espaço. E também um show de dança afro com uma ONG local,Casa do Boneco, que ajuda jovens afro-brasileiros a encontrar sua identidade através da arte e cultura. Durante o curso tivemos como participante uma das jovens da ONG.

No espírito de continuar a integração dos nossos futuros cursos com  comunidades emergentes, reconhecendo esta como uma relação mútua simbiótica, o próximo EDE, previsto para janeiro e março de 2013, será parcialmente realizado no Quilombo d’Oiti, sede da Casa do Boneco, onde a ONG está trabalhando para desenvolver e enraizar sua própria comunidade afro-brasileira.

The first EDE in the state of Bahia!

The first EDE in the state of Bahia took place between April and June, in the ‘Cocoa coast’, near the sea-side town of Itacaré, at a holistic center, Pedra do Sabiá, located in the midst of beautiful nature.

One unique feature of our program was the cultural richness and great diversity of the participants, five of whom were native, afro-descendants, two connected to a nearby “kilombola” (slave descendants community), as well as Brazilians from states as far as the Amazon state of Pará, two Argentinians and representatives from North America and Europe.

Some of the participants were linked to our partner Mecenas da Vida, a carbon-neutralization NGO who supports local farmers with a strong vision for the ecological and social transformation of the region, and whom retributed the bursaries by supplying locally grown organic food for our program.

The first module, which centered around world-view and ecology, had a strong focus on ecovillage design.  One of the most exciting features –and among the core reasons for choosing our program location- was that participants had the chance to practically work on the design of two real emerging intentional communities over the course of a week: the place that was hosting us, and ‘Aldeia’, just a boat ride across the river. Both of these represented a clean slate on which to explore their newly acquired skills in direct relation with the existing communities.

Both groups had the chance to present their designs to the respective stakeholders, get direct feed-back and have the extra buzz of knowing that their designs may be used in the development of these ecovillages.

This module also had a strong permaculture focus, and integrated a PDC as part of the curriculum.

One of the bonuses of the first edition of the EDE South of Bahia, was the privileged location of the program, as we were blessedly located in the middle of an environmentally preserved area, surrounded by lush Atlantic rainforest. Participants had the chance to soak in the lushness during walks to the nearby waterfall and lake, ceremonies held at the ancient jack-fruit trees and boat-rides across the river to do practicals at the ‘Aldeia’ community.

The second module, Co-Creating a New Culture, centered around the socio-economic dimensions, and had a strong focus on conscious communication and inner growth/observation. This meant we took opportunities to explore some practical tools to transform conflicts whilst diving deeper, using issues that were ‘alive’ and reflected the inter-personal dynamics of the group. We had particularly powerful sharings and healings during forum, men and women’s circles/fishbowl, closing with o’ oponopono, and a beautiful feed-back session. These, together with the dance, creativity and round the fire ceremonial moments, weaved a special connection of intimacy and sacredness between us.

One of the course’s special highlights included an evening spent at the nearby community and celebratory gathering ‘Sarau’, where locally produced crafts merged with talent shows, and we were able to practically explore issues relating to bio-regionalism and solidarity economy.

Another highlight was our end-of-course especially co-created St. John party, a traditional Brazilian festivity, were participants formed teams to work on the food, decoration, and evening program, including a choreographed dance and teather act. It was a blast! And we were taken aback by the level of commitment, creativity and collegiality of our teams in action.

Lessons learned for future EDES? One is we need be more disciplined about not opening up to participants the stuff we really wanted to cover but felt we had to leave out or do at a later moment…which apparently left them feeling like they were missing out on yet more juicy bits! Another is to perhaps offer more free spaces to allow time to reflect and assimilate the content.

Special guests of our program included indigenous representatives from the Tupinambá nation -who held our opening land blessing – and a special dance show from a local NGO who help afro-brazilian youth find their identity through art and culture, the Casa do Boneco, and who was represented throughout the program by a young woman.

In the spirit of continuing to integrate our future courses into emerging communities, recognizing this as a mutual symbiotic relationship, the next EDE, planned for January and March of 2013, will be partly based at the Kilombo d’Oiti, where this local NGO, Casa do Boneco, is working to develop their own afro-brazilian rooted community.